A Ericsson apresentou uma proposta para detectar drones com 5G usando a infraestrutura das redes móveis, mesmo quando a aeronave não está conectada à rede. Segundo reportagem do DroneDJ, o Integrated Sensing and Communication (ISAC) System já teve demonstrações nos Estados Unidos, na Finlândia e na Polônia. A tecnologia busca acrescentar uma camada de monitoramento aéreo à proteção de estádios, portos e infraestrutura crítica.
Como a rede 5G pode detectar drones
O sistema analisa como as ondas de rádio se refletem em objetos no ambiente. A solução combina rádios 5G com capacidade de sensoriamento, computação de borda, inteligência artificial e processamento de sinais para transformar essas observações em informações sobre a presença e a posição dos alvos.
O princípio de observar reflexos lembra o funcionamento de um radar, mas a proposta usa a infraestrutura da rede móvel como base. O drone não precisa transmitir sua localização nem estabelecer uma conexão celular para ser detectado.
Essa diferença separa sensoriamento de conectividade. Um modem celular instalado em uma aeronave permite que ela se comunique pela rede. No ISAC, a detecção depende dos reflexos dos sinais, não da colaboração do drone ou de um equipamento instalado nele.
Vários pontos observando o mesmo alvo
A arquitetura adota uma abordagem multiestática: estações geograficamente separadas transmitem e recebem sinais, permitindo observar o mesmo objeto de ângulos diferentes. O sistema combina essas observações para melhorar a confiança na detecção.
A Ericsson também associa essa combinação à localização em três dimensões e à continuidade do rastreamento conforme o alvo se desloca pela área coberta. A geometria entre os pontos da rede, portanto, faz parte das condições que influenciam o resultado.
O que foi relatado sobre os testes
Segundo o DroneDJ, que cita a Ericsson, os testes detectaram e acompanharam microdrones em distâncias de escala quilométrica, com posicionamento tridimensional descrito como preciso. As avaliações abrangeram diferentes condições de operação, configurações de rede e trajetórias de voo.
O material disponível não detalha alcance exato, margem de erro, taxa de detecção ou índice de falsos positivos. A referência a distâncias quilométricas não permite definir um raio de proteção garantido para qualquer instalação.
O desempenho depende das características do drone, do perfil de voo, do terreno, da geometria de sensoriamento e da configuração da rede. Para avaliar uma implantação, esses fatores precisam ser considerados no local que se pretende monitorar, sem transportar automaticamente o resultado de uma demonstração para outro cenário.
Demonstrações em três países
A reportagem descreve demonstrações da Ericsson com parceiros nos Estados Unidos, na Finlândia e na Polônia:
| Local | Parceiros | Atividade relatada |
|---|---|---|
| Arlington, Texas, Estados Unidos | AT&T | Detecção, localização e rastreamento de múltiplos drones, com visualização em painéis de monitoramento. |
| Helsinque, Finlândia | Erillisverkot | Detecção e rastreamento de drones com múltiplas estações 5G. |
| Polônia | Play e Asseco | Demonstração conjunta com o PUSZCZYK, sistema de detecção acústica da Asseco. |
O caso polonês ilustra a combinação de tecnologias. O sensoriamento por rádio operou ao lado da detecção acústica, em uma demonstração voltada a melhorar o posicionamento de drones que voam baixo.
Reaproveitar infraestrutura não significa adaptação automática
A vantagem apresentada pela Ericsson está no aproveitamento de ativos que as operadoras já instalaram: estações, conexões de transporte de dados e espectro. Essa base poderia sustentar uma camada de monitoramento sem exigir uma infraestrutura de detecção inteiramente nova em cada área.
Isso não significa que qualquer torre 5G possa detectar drones apenas com uma atualização de software. A proposta depende de rádios capacitados para sensoriamento, além dos recursos de computação e processamento envolvidos.
Também não é possível concluir que a adaptação dispense novos equipamentos ou tenha custo zero. O material disponível não especifica as mudanças necessárias em cada instalação nem apresenta custos que permitam comparar a solução com sensores dedicados.
Uma camada complementar de segurança
A Ericsson posiciona o ISAC como complemento, não como substituto de radares e sistemas dedicados de detecção de drones. As informações podem seguir por interfaces padronizadas até plataformas autorizadas de segurança, comando e controle e outras ferramentas operacionais.
A integração com sensores acústicos e outras tecnologias busca ampliar a percepção do espaço aéreo. Detectar e acompanhar, porém, não equivale a identificar uma ameaça com certeza nem a neutralizá-la. A proposta descrita trata de sensoriamento e rastreamento, não de bloquear ou derrubar aeronaves.
Aplicações potenciais
Entre os usos apontados pela empresa estão:
- monitoramento de estádios e grandes eventos;
- proteção de portos, instalações de energia e infraestrutura crítica;
- acompanhamento de áreas próximas a redes de transporte;
- vigilância de fronteiras e regiões costeiras;
- monitoramento do espaço aéreo urbano e futuras aplicações de gestão do tráfego de drones.
Esses exemplos representam possibilidades de aplicação, não cobertura assegurada. A presença de infraestrutura celular, por si só, não confirma que um local tenha a configuração necessária para detectar alvos aéreos com o desempenho exigido.
Pilotos comerciais previstos para 2027
O cronograma da Ericsson, conforme relatado pelo DroneDJ, prevê o início de pilotos comerciais selecionados e de pequena escala em 2027. Essa etapa será dedicada somente ao sensoriamento. Implantações mais amplas são esperadas para 2028.
O componente integrado de comunicação deverá ser acrescentado com a evolução da tecnologia rumo ao 6G. O nome ISAC, portanto, não deve ser interpretado como indicação de que todas as funções futuras estarão disponíveis nos primeiros pilotos.
O calendário é uma previsão, não uma garantia de implantação em qualquer mercado. O material disponível não informa preços nem detalha planos para o Brasil.
O que observar antes de uma implantação
A proposta abre a possibilidade de usar a rede celular como mais uma fonte de informação sobre drones em voo. Para quem precisa proteger uma instalação, a decisão dependerá de resultados medidos no cenário de uso: alcance, precisão, continuidade do rastreio, falsos alarmes e integração com os sistemas existentes.
As demonstrações relatadas mostram o caminho técnico escolhido. Já os pilotos comerciais previstos deverão ajudar a avaliar como essa abordagem se comporta na operação e quais adaptações serão necessárias para transformar infraestrutura móvel em uma camada complementar de vigilância aérea.
Fonte e crédito: DroneDJ — reportagem original sobre o sistema ISAC da Ericsson.
Fonte: https://dronedj.com/2026/11/02/ericsson-drone-detector-5g-tower/
Créditos: imagens de dronedj.com; fonte da notícia e das imagens: https://dronedj.com/2026/11/02/ericsson-drone-detector-5g-tower/.
