Pesquisadores da ETH Zurique, na Suíça, desenvolveram o FlexiQuad, um drone flexível capaz de colidir com obstáculos e continuar voando. Segundo o relato do DRONELIFE sobre a pesquisa, a aeronave usa uma estrutura em anel que se deforma para absorver parte do impacto. O projeto explora uma alternativa para operações em espaços confinados, onde evitar todo contato pode ser difícil.
Como funciona a estrutura flexível
O FlexiQuad troca a estrutura rígida encontrada em muitos quadricópteros por um anel com flexibilidade direcionada. Ele se dobra lateralmente durante uma colisão, mas mantém rigidez vertical para sustentar o voo. A proposta é reduzir os efeitos do impacto sem comprometer a função estrutural necessária à aeronave.
Os quatro rotores, as baterias e o sistema de controle ficam distribuídos ao longo do anel. Essa organização elimina a necessidade de um corpo central e deixa um espaço livre no meio do drone.
Inspiração em aves e insetos
Os pesquisadores buscaram inspiração nas asas de aves e insetos, que combinam flexibilidade em algumas direções com rigidez em outras. O objetivo não é tornar toda a aeronave maleável, mas permitir deformação onde ela ajuda a absorver o contato.
Essa diferença separa o conceito de uma estrutura simplesmente frágil ou sem sustentação. No FlexiQuad, a flexibilidade faz parte do projeto mecânico e precisa conviver com as exigências de voo e transporte de carga.
Colisão a 25 km/h não é voo a 80 km/h
A matéria apresenta dois valores de velocidade que descrevem situações distintas. Os pesquisadores demonstraram colisões a aproximadamente 25 km/h, enquanto a velocidade de voo normal pode chegar a 80 km/h.
| Condição | Valor relatado | Como interpretar |
|---|---|---|
| Colisões demonstradas | Cerca de 25 km/h | Condição de impacto descrita na divulgação |
| Voo normal | Até 80 km/h | Não representa uma velocidade de colisão demonstrada |
| Materiais da estrutura | Menos de 15 francos suíços | Não corresponde ao custo do drone completo |
A distinção impede uma leitura equivocada: atingir 80 km/h em voo não significa resistir a uma batida nessa velocidade. Da mesma forma, a demonstração de impactos a cerca de 25 km/h não estabelece tolerância a qualquer obstáculo ou condição de contato.
Luca Girardi, um dos autores do projeto, afirma que o FlexiQuad alcança acelerações lineares e angulares comparáveis às de drones rígidos. A reportagem não apresenta os valores dessas acelerações nem detalha o protocolo da comparação.
O que o protótipo já demonstrou
Além das colisões, a divulgação descreve tarefas de manipulação de objetos. Durante os testes, o drone pegou, transportou e soltou um kit macio de primeiros socorros. Também elevou uma carga mais pesada que a própria aeronave.
Essas demonstrações indicam possibilidades de interação física, mas não definem uma capacidade operacional de transporte. O relato não informa a massa da aeronave, o peso exato da carga nem a autonomia durante essas tarefas.
Sem esses dados, não é possível transformar o teste em uma especificação de carga útil para missões. A estrutura também pode ser dobrada para transporte, uma característica distinta da capacidade de manipular objetos em voo.
Onde a tolerância a impactos poderia ajudar
Os pesquisadores apontam aplicações em ambientes nos quais obstáculos próximos dificultam a navegação. São possibilidades de uso da tecnologia, não operações de campo validadas pela reportagem.
- Inspeção de tanques de lastro de navios.
- Busca por sobreviventes em edifícios desabados.
- Coleta de dados ambientais em florestas densas.
O ponto comum entre esses cenários é a proximidade de superfícies ou obstáculos. Uma estrutura que reduz as consequências de parte dos contatos poderia complementar os recursos de percepção e navegação empregados nesses ambientes.
Passagem por aberturas menores
A deformação do anel também poderia permitir a passagem por aberturas menores que a largura normal da aeronave. A hipótese abre espaço para drones maiores, capazes de acomodar mais sensores ou oferecer maior autonomia, sem necessariamente exigir passagens igualmente maiores.
A reportagem não quantifica quanto o anel pode se estreitar nem apresenta ganhos de autonomia associados a essa possibilidade. Portanto, não há base para definir dimensões de passagem ou benefícios operacionais específicos.
Captura de outros drones ainda é proposta
Girardi também sugere instalar uma rede no centro oco do FlexiQuad para capturar outros drones. Essa aplicação permanece conceitual no relato: não aparece como uma capacidade de combate a drones demonstrada pelos pesquisadores.
Vibrações são um desafio para câmera e navegação
A estrutura flexível pode continuar oscilando depois de uma colisão. Esses movimentos podem borrar imagens e interferir na navegação, justamente duas funções relevantes para inspeção e busca em ambientes complexos.
A equipe começou a abordar o problema com aprendizado por reforço e sensores de movimento a bordo. O trabalho busca ajudar o drone a se estabilizar depois do impacto e retomar o voo autônomo. A divulgação não apresenta essa etapa como uma solução concluída.
Os pesquisadores também estudam se os movimentos da estrutura podem fornecer informações úteis ao controle de voo. Nesse caso, a deformação não seria apenas uma resposta mecânica: poderia contribuir para a maneira como a aeronave percebe e administra o contato.
O relato ainda não oferece dados suficientes sobre autonomia, carga útil nominal, tipos de obstáculos ou comportamento em colisões sucessivas. Também não informa certificações. Essas lacunas limitam a avaliação de uso profissional, sem demonstrar que os respectivos estudos ou documentos não existam.
Pesquisa não equivale a lançamento comercial
Luca Girardi e Stefano Mintchev desenvolveram o FlexiQuad no Environmental Robotics Lab da ETH Zurique. A reportagem informa que Girardi passou a trabalhar no Mobile Robotics Lab da instituição e que Mintchev se transferiu para a Universidade de Bonn.
Os pesquisadores depositaram um pedido de patente, e a ETH indicou a invenção ao Spark Award 2026. Pedido de patente não significa concessão, assim como indicação não significa conquista do prêmio.
O custo inferior a 15 francos suíços diz respeito aos materiais da estrutura. Ele não inclui o conjunto completo de motores, baterias, eletrônica e demais componentes necessários ao voo. Por isso, não deve ser apresentado como preço de fabricação ou venda do drone.
O FlexiQuad permanece descrito como uma plataforma de pesquisa em estágio inicial, sem informações de comercialização na matéria. Sua contribuição é explorar estruturas que tolerem determinados contatos, em complemento à prevenção de obstáculos. A utilidade em missões reais dependerá de desempenho demonstrado nas condições de cada aplicação.
Crédito e fonte: DRONELIFE, “ETH Zurich Develops Flexible Drone That Can Survive Collisions”, publicado em 3 de novembro de 2026, sobre pesquisa da ETH Zurique.
Fonte: https://dronelife.com/2026/11/03/eth-zurich-develops-flexible-drone-that-can-survive-collisions/
Créditos: imagens de dronelife.com; fonte da notícia e das imagens: https://dronelife.com/2026/11/03/eth-zurich-develops-flexible-drone-that-can-survive-collisions/.
